palmas para ele, que o unico argelino famoso do mundo (que nao se chama zidane) merece. posted by Flávio 18:23
um continho meu para deleite (i wish) dos fas de literatura...
Silêncio e Memória
Estava sentando em uma poltrona branca, de costas para a porta. Pensava nela e esperava ouvir o barulho do elevador chegando e da chave entrando na fechadura da porta.
As luzes apagadas e o bilhete dela na mão. Teve vontade de reler, mas com aquela escuridão seria impossível. Na verdade nem precisa reler o bilhete, já havia o decorado.
“Marcos, dessa vez estou indo para valer. Juízo.”
Levantou da poltrona mesmo querendo continuar sentado. Levantou para acender a luz e reler o bilhete que já sabia de cor. Levantou e ao apertar o interruptor sentiu a íris contrair e a sobrancelha serrar.
Não conseguiu ler nem uma palavra. Precisava dos óculos. Já sabia o conteúdo do bilhete de cor, mas foi pegá-los.
A casa estava tão silenciosa que, pela primeira vez em quase dois anos naquele apartamento, ouviu seus passos. Estava mais acostumado a escutar os dela, pois era baixinha e sempre usava salto alto.
Até para ir a padaria ela usava salto alto. Ele achava aquela mania irritante e sempre fazia questão de reclamar. Hoje provavelmente não reclamaria mais.
Colocou os óculos e releu o bilhete. Sentou na cama e deixou o corpo cair para trás. Jogou a cabeça para o lado e os óculos caíram no lençol, sem fazer barulho.
O quarto escuro, a cama gelada e o bilhete amassado na mão. Uma claridade borrada longe, na sala. Nenhum barulho de salto alto, chave, ou elevador.
Sentia-se culpado, mesmo sem saber muito bem porque. Sofria pela falta dela e há quatro dias só pensava em uma coisa. Na palavra “juízo”. Por que ela teria colocado aquela palavra no bilhete?
Logo juízo, logo para ele. Sempre fora cauteloso com ela. Sabia que ela tinha um temperamento complicado. Media suas palavras, suas reações, sua incapacidade de demonstrar afeto.
Deitado no escuro, sob o silêncio cruel do apartamento e daquele bilhete de despedida, chorou. “Dessa vez estou indo para valer”. A força daquelas palavras na sua cabeça. Não tinha mais volta. Tudo tinha acabado de uma hora para outra e ele não entendia bem porque.
Adormeceu por quase duas horas e acordou apertado para ir ao banheiro. Mijou de olhos fechados. Estava ainda entorpecido pelo sono e cansado pelos seguidos dias de vigília.
No espelho do banheiro viu seu rosto inchado após o cochilo, os olhos vermelhos de sono e choro. Baixou a cabeça em desalento e se deparou com os remédios dela. Todos eles abertos e ingeridos ao mesmo tempo.
cronicas de antonio maria, dois livros do (fantastico) bernardo carvalho, rodape, monografia. quantos livros bons para ler urgentemente.
viva a literatura! posted by Flávio 17:59
terça-feira, dezembro 03, 2002
Parem as prensas! Descubriram hoje, ta la n' O Globo, que Clarice Linspector era uma pessoa comum. Putz, bem na hora que pensei que existisse vida fora da Terra. Jornalistas merdas.
tem uns jornalistas fodinhas que adoram humilhar os novos quando esses fazem alguma merdinha. Mas eu vou dizer uma coisa: editar e a coisa mais facil do mundo seus esnobes. Parece ate que voces nunca sentaram o rabo na cadeira apos passar a manha na faculdade e ainda tiveram que entregar varias materias para seu editor (que estava falando com a mulher ao telefone o tempo inteiro ou olhando fotos no Paparazzo).
Olha a merda da historia do Lanyi, colunista do Comunique-se:
Um episódio do dia-a-dia jornalístico:
Marília, editora-chefe- Assim não dá, Juvenal! Mais uma barriga do Ricardo!!!
Juvenal, editor- É...
Marília, editora-chefe- Isso é vergonhoso! A gente não pode mais admitir uma coisa dessas! A terceira barriga em uma semana! A terceira em uma semana!!!
Juvenal, editor- Isso é... Isso é...
Marília, editora-chefe- Quem foi que indicou esse menino?
Juvenal, editor- Foi a Lúcia.
Marília, editora-chefe- Qual Lúcia?
Juvenal, editor- A Lúcia Souza Silva...
Marília, editora-chefe- Sinto muito, não vai dar...
***
Juvenal, editor- Lúcia, a Marília está subindo pelas paredes.
Lúcia, redatora- Mas o que foi que eu fiz?
Juvenal, editor- Calma, não é com você, diretamente... É com o Ricardo...
Lúcia, redatora- Ah! Mas eu já disse pra ele tomar cuidado! Não checa nada, acaba dando nisso! Foi por causa da barriga?
Juvenal, editor (irônico)- Qual delas?
Lúcia, redatora- É, você disse bem: qual delas... Eu vou lhe contar uma coisa, cá entre nós. Morre aqui?
Juvenal, editor- Claro! Você sabe que aqui todo mundo é discreto, só quer o bem-comum... Por que eu seria diferente?
Lúcia, redatora- Eu sei, Juvenal... A verdade é que.... eu escrevo quase todos os textos dele...
Juvenal, editor- Não brinca!
Lúcia, redatora- Mas peraí: não tenho nada a ver com essas barrigas! Ele me traz as informações! Eu pergunto: checou? Ele responde: chequei. Eu faço isso para ajudar. O texto dele é (sussurando) horrível...Se eu não ajudar, ele não consegue nem escrever a barriga...
Juvenal, editor- Ah...
Lúcia, redatora – E a gente não vai querer que ele perca o emprego. Sempre foi assim, você sabe. Entra ano, sai ano e a gente sempre ajuda essa garotada. É nosso dever moral, você não acha?
Juvenal, editor- Claro, Lúcia, claro! Mas a Marília não agüenta mais. Quer demitir o rapaz...
Lúcia, redatora- Vai lá, Juvenal! Fala com ela! O Ricardo não é má pessoa, não pode perder o emprego! Quem sabe, se a gente não insistir alguns anos... Quem sabe se ele não vai ser um grande jornalista!
Juvenal, editor- É... Quem sabe... Olha, você tem razão...
Lúcia, redatora- Tenho sim, e vou lhe dizer mais: a culpa não é dele.
Juvenal, editor- Imagino... Onde você o conheceu?
Lúcia, redatora- O Ricardo? Ah! Ele é da turma do terceiro ano, que tomava chope lá com a gente!
Juvenal, editor- Ah! É da turma da sua faculdade?
Lúcia, redatora- É! (rindo) Aquele pessoal que não largava do meu pé!
Juvenal, editor- É mesmo! Você comentava, eu lembro...
Lúcia, redatora- Todo mundo vivia no boteco.
Juvenal, editor- Mas lá, quem não vive...?
Lúcia, redatora- Pois é... Com aquele ensino... Aqueles professores...
Juvenal, editor- É... Quer saber? Você tem razão. A culpa não é dele.
* * *
Juvenal, editor- Eu andei pensando sobre o Ricardo...
Marília, editora-chefe- Não quero mais esse rapaz aqui.
Juvenal, editor- Calma, Marília, você não sabe o que eu acabei de descobrir...
Marília, editora-chefe- O quê?
Juvenal, editor- A culpa não é dele!
Marília, editora-chefe- Como não?
Juvenal, editor- É da faculdade! Os professores dele não o incentivaram! O currículo é ruim! E vou dizer mais! Isso vem lá de trás, do ensino fundamental! Marília, vamos ficar com ele! A gente pode tentar reduzir de três para uma barriga grave semanal! O que você acha?
Marília, editora-chefe (pensativa)- Sabe, Juvenal... Acho que eu estou estressada... Nem havia pensado nisso... Estou ficando desumana... (pausa) Você tem razão, se o problema é esse você tem razão... Mas eu vou me corrigir.
Juvenal, editor- Como?
Marília, editora-chefe- Vou promover o rapaz.
Juvenal, editor- É mesmo?!
Marília, editora-chefe- Vou, vou sim. É uma forma de compensar a minha impaciência. Depois, é o meu dever incentivá-lo. Quem sabe se um dia ele não vai ser um grande jornalista...
Marília e Juvenal estão com lágrimas nos olhos. Abraçam-se e, sorridentes, pela janela, passam os olhos pelo céu pontilhado de estrelas.
F I M
Nota do colunista - Se você não gostou dessa história, não se preocupe. Para tristeza dos paternalistas, ela é e sempre será uma obra de ficção.
nao mencionar jamais o quinto ou o sexto mandamento. posted by Flávio 14:13
quarto mandamento
quem nao gosta de cerveja esta escondendo algum segredo escabroso (entao beba porra). posted by Flávio 14:11
terceiro mandamento
nao mataras a mulher do proximo (tinha que ter uma parada biblica para quebrar a tensao). posted by Flávio 14:10
segundo mandamento
eu nao sou eu, mas isso nao interfere em nada posted by Flávio 14:09
primeiro mandamento
nao usaras letras maiusculas ou acentuacao. (a.k.a. se vira para entender malandro) posted by Flávio 14:08
o inicio
bom, ja no primeiro post o blogger ja ficou com medo do conteudo dessa merda e resolveu mandar um sorry, publishing is temporarily unavailable. ok, para voce agora ja aparece, mas te garanto que para mim nao apareceu. posted by Flávio 14:07